Bru Junça
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Bru Junça nasce em Évora em 1983. Em 2006 completa a Licenciatura em Educação de Infância pela Universidade de Évora e em 2010 a Pós-Graduada em Livro Infantil pela Universidade Católica de Lisboa. 
Como mediadora de leitura e contadora de histórias participa em vários encontros nacionais e internacionais, quer a nível performativo quer a nível formativo, trabalhando com várias faixas etárias. 
Em 2012 cria a marca Conto por Ponto, livros de pano artesanais inspirados em textos da tradição oral.
Desde 2014 até à data leva a cabo vários grupos de mediação de leitura em regime de continuidade em contexto escolar.
Entre 2017 e 2018 trabalhou com a Biblioteca Nacional de Cabo Verde na implementação das primeiras 9 bibliotecas escolares da ilha de Santiago e numa rede de formação para professores entre ilhas.
Em 2019 é convidada pelo IPOR (Instituto Português do Oriente) em Macau para ingressar num encontro que visa a sensibilização da língua portuguesa 
Em 2019 fez parte do projecto “Mamãs em Movimento” em Moçambique levado a cabo pela associação AIDGlobal, trabalho que incide na promoção da leitura na primeira infância pelos elementos da comunidade. 
Em 2019 esteve em Angola como mediadora de leitura e contadora de histórias num projecto social - Projecto Cuerama. 
Em 2020 cria em parceria o projecto Trago uma História no Bolso, levando este a desenvolver múltiplas oficinas;
De 2020 até à data integrou a equipa artística do O MUS-E em Évora, projeto de âmbito internacional desenvolvido pela Associação Menhuin Portugal.
E aquando a pandemia Covid-19 foi responsável pela Hora da Leitura do 1.º e 2.º Ano de Escolaridade no Estudo em Casa, transmitido pela RTP Memória.
 
(versão mais poética)
Nasci em Évora num domingo e talvez, por isso, seja dada ao vagar. Vivi na rua onde morou Florbela Espanca. Gosto da côdea do pão acabado de cozer. A minha casa ficava por cima da minha primeira escola. Rua abaixo, rua acima fui apre(e)ndendo o mundo. Aprendi matemática na mercearia do Sr.  ngelo.
Percebi que o caminho dói quando o Sr. Moreira me punha meias solas nos sapatos, gastos pela brincadeira. Aprendi a escutar, ouvindo as estórias da vizinhança contadas pela D. Vicência e pela D. Victória. Tive um grilo e dois canários. Aprendi o cuidar e o dizer adeus. O cheiro a café devolve-me a casa. São os pássaros que acordam a manhã à minha janela. Quis ser professora. Aos 18 anos Lisboa foi-me demasiado barulhenta. Formei-me na Universidade de Évora. Continuo a enviar postais, escritos à mão. Numa cozinha aprendi a contar grãos. Contar o tempo. Contar a vida. Acareio tudo quanto é memória. Não vivo sem livros. Sou mediadora de leitura. Conto histórias. Viajo muito ao redor de mim nas viagens que faço pelo mundo. Tenho mãos inquietas. Faço livros de pano e pastéis de nata. Tenho o vício dos livros antigos. O lume de chão é-me companhia onde a Palavra é encontro com o mundo e com o outro. A palavra une, desembaraça e abraça.